a mutação do objeto como item de projeto

os objetos que nos cercam, equipando os ambientes pelos quais transitamos e tornando-nos aptos a ambientá-los, inevitavelmente carregam a história do contexto cultural em que foram projetados, perpetuando assim uma linhagem de antigos conceitos que é usualmente revisitada quando reinterpretada como premissa de um redesenho.
tal processo de revisão de conceitos possibilita que a mutação dos objetos aconteça em um continuum movimentado pela interpretação do homem, que busca transformar o seu meio moldando-o de acordo com o espírito de uma determinada época. Interpretação esta que, além de ser induzida por objetos específicos, é sustentada por uma ampla cadeia amórfica de informações onde inúmeras espécies de dados estão em constante fluxo. Dados que começam a ser devidamente categorizado a partir de um ferramental arquitetado para precisa manipulação dos mesmos.

sinais de uma era em que uma informação é classificada através de diferentes níveis de detalhamento, consequentes do prolífico ato de informar que estrutura e distingue a espécie humana.
constatado o grande volume de dados, provenientes da massiva atividade virtual diagnosticada nos últimos tempos, mostra-se necessária a importância de uma análise minuciosa sobre o que está sendo produzido ultimamente e o papel do designer nesse meio de campo definido tanto pela indústria, como atualmente pelo makers, graças as facilidades causadas pela fabricação digital e o conceito de “design aberto”, que a cada dia mais se fortalece através da internet.
com o auxilio de softwares paramétricos e todos os braços que estendem o projeto à fase final da fabricação digital, a profissão ganha uma nova dinâmica, e nesse momento o designer assemelha-se mais a figura de um programador, preocupado com todo o fluxograma do projeto, do que um projetista que dedicava boa parte desse raciocínio a desmistificar as variáveis de um contexto e às ações que seriam repercutidas caso um novo objeto fosse inserido nele, fora as antigas e complexas preocupações de um chão de fábrica.

durante este momento de transição, em que a desconstrução do cenário atual é constatada através do poder do universo virtual de desmaterializar processos e objetos, ao mesmo tempo em que a velocidade da informação propicia uma atividade prolixa gerando um montante de dados jamais registrado, cabe ao designer discernir os sinais emitidos por estes dados e experimentar potencialidades inexploradas em resposta a um ambiente que constantemente anseia por uma filosofia de projeto, potencialmente capaz de informar com novos modelos e sinalizar um caminho para que o cenário possa ser transcodificado.
rev. iniciação científica
ed.3 #1-2014