da necessidade de explorar a sensorialidade dos alunos durante o processo de projeto, nasce o LESSS – Laboratório de Experiências Sensoriais, em outubro de 2015 na cidade de são paulo - brasil.
o laboratório dedica-se à produção de oficinas, instalações e criação de instrumentos experimentais que auxiliam os envolvidos na exploração da percepção do que é o som.
através de uma abordagem prática, dirigida para a fabricação de atmosferas musicais, os participantes são estimulados a perceberem as diversas interferências sônicas geradas por uma composição coletiva.
câmara sensorial desenvolvida em 2018 para ação no inst. tomie ohtake
todos os instrumentos musicais (ou plataformas), de caráter minimalista, são desenvolvidos de acordo com o conceito de célula sônica. a interação reduzida dos instrumentos é proposital, o que permite a síntese sonora básica e necessária para o entendimento construtivo de composições coletivas por parte de um público leigo no assunto.
esta síntese informacional permite uma assimilação mais eficaz, possibilitando uma compreensão minuciosa dos elementos sonoros produzidos para que um dialeto seja estabelecido por todos os envolvidos no momento da composição. desta maneira, estimula-se uma concessão criativa, instaurada automaticamente para viabilizar a estruturação do diálogo sonoro entre os participantes do grupo.
o objetivo maior é renegar o classicismo musical em busca de atingir uma harmonia que considere a egrégora estabelecida pela equipe, através dos elementos sonoros emitidos individualmente no ambiente e pelo ritmo coordenado flagrado pelos participantes através do pulso percebido. formando, consequentemente, um corpo arquitetônico sonoro que preenche o local.

kalimba elétrica 2016
projeto: alex tonda + jp salgado

kalimba elétrica 2018
projeto: alex tonda + jp salgado

lap steel / guitarra havaiana 2018
projeto: alex tonda + jp salgado
as atividades são organizadas de maneira com que os participantes voltem à atenção e os sentidos para todas as interferências sensoriais ocasionadas no momento, desde a percepção dos ruídos do ambiente e das máquinas, da sensação dos tipos de texturas de materiais e cheiros, durante a manipulação da matéria prima na construção dos instrumentos, até a audição da última nota ressoada no espaço ao fim de um experimento sonoro coletivo.






SOM
elemento etéreo invisível
e que pode ser percebido
e manipulado
à distância
todas as oficinas servem como plataformas de experimentação, apontando para diversos estímulos sensoriais no campo do design para além da característica clássica meramente ótica, retiniana. os exercícios servem para explicitar a responsabilidade informacional que qualquer ser criador tem quando produz uma obra e insere a mesma em um ambiente, seja ela visível ou não. a questão é despertar a percepção dos envolvidos para perceberem a influência e os impactos gerados por elementos que são dispostos no espaço.
ensaio coletivo 2018
sesc av.paulista
câmara sensorial 2018
inst. tomie ohtake
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a arte não reproduz o visível;
ela torna visível
paul klee
através do estímulo de outros sentidos os participantes envolvidos percebem as demais forças atuantes no espaço, que são invisíveis aos olhos. tal exercício permite que os mesmos visualizem meios alternativos de expressão, a partir do momento que novos elementos são adicionados ao repertório de ferramentas de projeto.
dinâmica com alunos de design industrial 2018
centro acadêmico senac

a humanidade cria as ferramentas
e as ferramentas recriam a humanidade
marshall mcluhan
para que a realidade seja compreendida devemos perceber a natureza de todas as experiências e seus impactos através dos sentidos, transpondo o mero deslumbre estético-tecnológico inicial, geralmente carregado de informações cruzadas e desnecessárias.
a linguagem estrutural da música mínima, iniciada por Steve Reich, se conecta de maneira mais pura ao pulso informacional naturalmente processado pelo cérebro.
através da constatação deste caminho, ou desta porta que se abre, novas maneiras de reinterpretação e manejo de composições podem ser exploradas e trabalhadas. lembrando que a linguagem, a estética musical, não é nada mais do que uma meta-emoção, ou a emoção utilizada para controlar um sentimento. sendo assim, as composições podem ser utilizadas como meios de controlar os sentimentos, os comportamentos, a partir do momento que o funcionamento dos elementos sonoros básicos são estudados separadamente e depois integrados a um corpo sonoro.
piano phase por steve reich 1967
programação: alexander chen
todos os exercícios visam analisar e questionar a nossa compreensão de mundo, limitada por uma cultura predominantemente visual.
a maneira como sentimos os cenários pelos quais transitamos diariamente vai muito além do que enxergamos e ao exercitarmos nossa sensibilidade auditiva, percebendo assim todas as camadas existentes de informações ao nosso redor, expandimos nossa percepção.

